O plástico está presente no dia-a-dia de milhares de pessoas em todo o mundo, sob diversas formas. Desde que foi criado, sua utilização cresceu consideravelmente, substituindo materiais como aço, madeira e vidro em diversas situações.
Atualmente, sua gama de aplicações é tão ampla, que muitas vezes não percebemos a sua presença. Mas, para que ele chegue até o consumidor final, a cadeia petroquímica e do plástico tem um grande trabalho.
A origem do plástico está no petróleo. A partir de seu refino são produzidos o gás natural, o gasóleo (que origina o diesel e a gasolina) e a nafta. Esta última, por meio do processo de craqueamento, gera sub-produtos denominados insumos básicos: eteno, propeno, benzeno e paraxileno.
A transformação da nafta em sub-produtos é a fase conhecida como 1ª geração da indústria petroquímica. Estes sub-produtos são usados como matéria-prima para a 2ª geração da indústria do plástico.
Por meio de processos de purificação, polimerização e adição de outros materiais, essas empresas produzem as resinas termoplásticas, como por exemplo: PVC, polietileno, poliestireno, polipropileno etc.
Sua posição é intermediária entre a petroquímica básica, indústrias de 1ª geração e as indústrias de 3ª geração, conhecidas como transformadoras. São as empresas de transformação que fazem os produtos plásticos que vão direto para o consumidor final.
O plástico é um produto essencial à vida moderna, sendo considerado sinônimo de desenvolvimento e qualidade de vida. Ele está presente em importantes áreas da economia.
Suas características de resistência, leveza, isolamento termo-acústico, versatilidade e relação custo/benefício, proporcionaram sua utilização em quase todos os setores da indústria. Como exemplo, podemos citar seu uso na construção civil, por meio de tubos e conexões; na medicina, em forma de bolsas de sangue, cateteres e seringas; na agricultura, com lonas protetoras e irrigação. E em eletrodomésticos e eletroeletrônicos, brinquedos, embalagens, calçados, automóveis e até produtos de alta tecnologia.
Os diversos tipos de plástico aparecem na vida de todas as pessoas, independente da condição social. Acompanham avanços tecnológicos que são componentes essenciais na criação ou transformação de novos materiais.
Seu consumo é utilizado como referência para medir o nível de industrialização e desenvolvimento de um país. O setor responde por cerca de 8% do PIB nacional, sendo de extrema importância para a economia.
O crescimento da demanda de resinas plásticas fez com que esta matéria-prima evoluísse significativamente nos últimos 10 anos. No Brasil, o consumo per capita ainda é pequeno (22,5 kg/ano), se comparado a países da Europa (média de 93kg/hab/ano).
A TRANSFORMAÇÃO DE PLÁSTICO E O MEIO AMBIENTE
Os plásticos são prejudiciais à saúde?
Os materiais plásticos são usados diariamente em milhares de aplicações pela sociedade. Muitas dessas aplicações estão em contato direto com o ser humano, seja através das embalagens que protegem os alimentos, seja nos brinquedos, na aviação, nos automóveis, seja na área médica, caso das bolsas de sangue, cateteres intravenosos, mangueiras cirúrgicas etc.
Nessas aplicações, os materiais plásticos, bem como seus aditivos, são estritamente regulamentados pelos órgãos oficiais de controle. A segurança no uso dos aditivos está sempre respaldada pelas informações e pesquisas científicas que se encontram em constante desenvolvimento em todo o mundo. Os aditivos usados nos plásticos fabricados no Brasil são os mesmos usados em todo o mundo.
Os plásticos são prejudiciais ao meio ambiente?
Não. A falta de sistemas de coleta normal de lixo em algumas regiões das grandes cidades, aliada a um despreparo educacional de uma parte da população para as questões ambientais, faz com que, algumas vezes, esses materiais possam ir parar em cursos d´água.
Nesses casos, por serem leves, os plásticos acabam flutuando, enquanto a maior parte da carga poluidora, presente em quantidade muito maior, afunda por ser pesada. Mesmo assim, os plásticos, por serem inertes e atóxicos, não contaminam a água.
Não há qualquer posicionamento científico concreto que faça distinção entre os diversos polímeros quanto à questão ambiental. Os polímeros usados e fabricados no Brasil são os mesmos usados há dezenas de anos em todo o mundo para as diversas aplicações.
Qual a função dos aditivos adicionados aos plásticos?
Há diversos tipos de aditivos que são adicionados aos materiais plásticos com a finalidade de conferir-lhes propriedades importantes para a fabricação do produto final. Cada tipo de plástico utiliza seus aditivos específicos.
Os ftalatos são prejudiciais à saúde?
No passado, houve uma polêmica quanto ao uso de alguns tipos de aditivos normalmente incorporados ao PVC, caso dos plastificantes da família dos ftalatos. Esses aditivos foram profundamente estudados na Europa e nos EUA e não foram encontradas quaisquer provas de que prejudiquem a saúde ou o meio ambiente.
Recentemente, o governo holandês formou um grupo de trabalho com especialistas (Dutch Consensus Group), para analisar o comportamento dos ftalatos usados na fabricação de brinquedos de PVC flexível. Os resultados mostraram que os níveis de ftalatos que podem vir a migrar para a boca das crianças é muitas vezes menor que os limites estabelecidos pelos órgãos de saúde europeus.
Qual o volume de materiais plásticos no lixo urbano?
A participação média em peso dos resíduos plásticos nas principais capitais do país é de 6%. Este valor é ligeiramente menor que os 7% em média dos países da Europa.
Podemos citar, como fator preocupante, a inexistência, na maioria dos municípios brasileiros, de um eficiente Gerenciamento Integrado dos Resíduos Sólidos, do qual deveria fazer parte a coleta seletiva, a reciclagem em todas suas formas e o aterro sanitário.
Na composição do lixo urbano, o volume dos plásticos é de 20%, o que causa impacto visual muito maior do que sua participação real no peso dos resíduos. Além disso, os plásticos são utilizados para embalar outros resíduos. Isso aumenta a percepção visual dos plásticos e esconde esses materiais. Vale lembrar que o plástico é totalmente inerte, não causando nenhum tipo de contaminação, emissão de gases ou dano ao meio ambiente.
Quais são as medidas adotadas para os resíduos plásticos em outros países?
Há programas e/ou leis que estimulam ou impõem sistemas de gerenciamento de resíduos sólidos, fixando taxas mínimas de reciclagem para todos os tipos de materiais que compõem o lixo urbano. Dentre as técnicas usadas para o tratamento dos resíduos plásticos, estão a reciclagem mecânica, a recuperação energética e a reciclagem química.
Quais as vantagens ambientais do uso do plástico?
A utilização do plástico assegura o máximo de proteção com o mínimo de material. Economizando energia, as embalagens plásticas requerem menos combustíveis para sua manufatura e para o transporte do que outros materiais para embalagens.
Por oferecerem maior proteção aos produtos perecíveis, reduzem o desperdício e a necessidade de conservantes. Diminuem o risco de cortes e/ou machucados. Economizando recursos naturais, os plásticos são os campeões na prevenção e na minimização do total de embalagens requeridas.
Como são controladas as aplicações dos plásticos?
As aplicações dos plásticos, assim como de todos os materiais, são controladas pelos órgãos nacionais e internacionais em função do uso do material. Dessa forma, plásticos usados nas aplicações médicas, embalagens, tubos de transporte de água etc. são controlados pelos órgãos oficiais de saúde, institutos de pesquisa e outros.
Como controlar a utilização das embalagens descartáveis?
O fato de a embalagem ser descartável não significa que ela aumentará o impacto ambiental. O importante é assegurar a sua reciclagem.
Atualmente, há uma ferramenta científica que analisa o impacto da embalagem no meio ambiente ao longo de todo o ciclo de vida e não somente quando a embalagem é descartada.
Essa ferramenta, chamada análise do ciclo de vida, ao levantar tudo o que é consumido na produção de um produto, mostra que, em determinadas circunstâncias, a embalagem retornável, apesar de poder ser reutilizada algumas vezes, impacta mais o meio ambiente do que a descartável.
Isso ocorre porque a análise do ciclo de vida leva em consideração todas as idas e vindas do transporte dessa embalagem, computando o gasto de diesel, no caso do caminhão, e também a quantidade e impacto da fumaça rica em CO2 por ele emitida. Deve haver um sistema de coleta das embalagens descartáveis, para que seu material seja reciclado.
Como tratar o retorno das embalagens retornáveis?
O retorno das embalagens retornáveis não resolveria o problema do lixo urbano por vários motivos, entre eles:
As embalagens representam apenas uma parte do lixo e, se levarmos em consideração apenas as embalagens que podem ser retornáveis, o volume é ainda menor.
Nenhuma medida específica sobre nenhum material em particular resolverá sozinha o problema dos resíduos sólidos urbanos.
Mais de 60% do lixo brasileiro são compostos por material orgânico que nada tem a ver com a embalagem retornável ou descartável.
Dependendo da distância do transporte da embalagem retornável, ela poderia impactar mais o meio ambiente do que a descartável. Isso deveria ser correta e cientificamente quantificado por uma análise do ciclo de vida .
Tratando-se de embalagens, o plástico vem substituindo outros materiais exatamente pelas suas excelentes características técnicas e seu excelente custo-benefício.
O que é reciclagem química?
Trata-se da despolimerização (craqueamento) dos materiais plásticos existentes no lixo, para a produção de substâncias químicas simples (gases e óleos). O objetivo é a recuperação dos componentes químicos individuais para reutilizá-los como produtos químicos ou para a produção de novos plásticos com as mesmas características e propriedades dos plásticos virgens.
A reciclagem química dos plásticos representa um problema ambiental?
Ainda há muito pouca literatura técnica disponível no Brasil sobre a reciclagem química, devido aos altos investimentos requeridos para sua instalação, mas não há, até o momento, qualquer dano ambiental associado a essa técnica. No momento, existem várias usinas de reciclagem química no mundo sendo uma nos EUA, três na Europa e pelo menos duas no Japão.
Há, no Brasil, bons exemplos de reciclagem de plásticos?
Sim, apesar das dificuldades que vive o reciclador em função dos impostos que recaem sobre ele, dos problemas em se conseguir a matéria-prima para sua empresa por causa da falta de coleta seletiva, há alguns bons exemplos de reciclagem de plásticos no Brasil. Podemos exemplificar:
o sistema de reciclagem do PET já estabelecido no Brasil, a produção de vassouras com plástico reciclado amplamente comercializadas, a grande produção de solados de sapatos com plásticos reciclados, entre uma grande variedade de outros exemplos.
O produto de plástico reciclado no Brasil tem qualidade?
Atualmente, com o barateamento dos produtos e uma maior cobrança por qualidade, houve uma mudança na forma de pensar das empresas em geral e do reciclador. Ele hoje se preocupa em produzir produtos com qualidade similar à do produto virgem.
A condição de qualidade é fundamental para a continuidade do próprio negócio do reciclador. Se no passado houve casos de produtos feitos com plásticos reciclados com baixa qualidade, hoje isso está praticamente superado.
Qual o tipo de reciclagem que se recomenda?
A gestão integrada dos resíduos sólidos é uma solução, a qual contempla alternativas como aterros sanitários, redução, reutilização e reciclagem. A reciclagem energética distingue-se da incineração por utilizar os resíduos plásticos como combustível na geração de energia elétrica.
A reciclagem energética, utilizada em vários países da Europa, EUA e Japão, em condições controladas, não oferece riscos à saúde nem ao meio ambiente.
Quais são os níveis de reciclagem de plástico nos países que adotaram legislação a respeito?
Na Europa em média o índice de reciclagem mecânica de plásticos se encontra em 22%. Não muito distante dos 17,5% do Brasil, onde não se adotou uma Lei de Resíduos Sólidos até o presente.
Na Alemanha, a legislação impõe índices da ordem de 80% de reciclagem de todos os materiais porém, para alcançar esta taxa todos os resíduos exportados para países de Terceiro Mundo são computados como reciclados.
Quais são as principais barreiras à reciclagem do plástico?
A falta de programas de coleta seletiva, os impostos a serem pagos pelos recicladores e a diversidade de plásticos existentes são as principais barreiras para a reciclagem dos plásticos.
Outro aspecto desfavorável para a reciclagem dos plásticos é seu baixo preço, além de eles ocuparem um grande volume com baixo peso, aumentando o custo do transporte de pequenas quantidades. Isso praticamente exige que os plásticos sejam prensados para viabilizar economicamente seu transporte.
Quem ganha e quem perde com a reciclagem de plástico?
Todos ganham com a reciclagem dos plásticos. O reciclador, que tem no material uma forma de obter recursos; a população, que dá um destino correto a um resíduo com alto valor agregado; e o meio ambiente, que fica protegido, pois o material não vai parar em lixões ou aterros sanitários.
Quais são as vantagens das diferentes formas de reciclagem para o meio ambiente?
Todos os processos de reciclagem de plásticos evitam a deposição dos mesmos nos aterros sanitários, minimizando o problema da falta de espaço principalmente nas grandes cidades e sua conseqüente reflexão no Meio Ambiente, além de permitirem o fechamento do ciclo de vida dos produtos plásticos.
Que fatores são necessários para viabilizar as diferentes formas de reciclagem?
Os processos de reciclagem química e energética, por seu porte e complexidade, necessitam da participação/envolvimento de todos os segmentos da sociedade; investimentos (em tecnologia e retorno dos materiais, tecnologias de limpeza e filtragem dos gases emitidos); compromisso e divulgação, envolvendo a comunidade, para garantir sua viabilidade técnica e econômica.
No caso da reciclagem mecânica, são as seguintes as etapas necessárias para a sua viabilização:
depósito do consumidor;
coleta por uma empresa ou autoridade local;
separação nos diferentes tipos de plásticos;
limpeza para retirada de sujeiras e conteúdos;
reprocessamento (produção do plástico granulado.
A reciclagem do plástico é economicamente viável?
Sim, desde que feita em escala considerável e tenha um mercado assegurado. O CEMPRE – Compromisso Empresarial para a Reciclagem publicou uma cartilha sobre a atividade reciclagem de plásticos como um negócio. Pelos exemplos conhecidos, é possível verificar que há oportunidades para projetos bem estruturados e que tenham segurança quanto ao fornecimento da matéria-prima. Por ser uma atividade pouco explorada, acreditamos que ainda há um grande potencial na área.
Em que produtos o plástico reciclado se pode transformar?
Se utilizado na fabricação de peças, devem ser respeitadas as características de qualidade adequadas à aplicação. Em geral, o material reciclado desta forma é utilizado para produção de subprodutos ou materiais menos nobres que os polímeros originais.
Por questão de segurança, os plásticos reciclados mecanicamente não podem ser utilizados para fins alimentícios e de saúde.
O que sobra do processo do processo de reciclagem?
As sobras de processo da reciclagem mecânica podem ser reintroduzidas no próprio processo de reciclagem.
Na reciclagem química, não há sobra de processo.
Na reciclagem energética, as cinzas resultantes devem ser corretamente acondicionadas em locais adequados.
BIODEGRADABILIDADE
O que é a biodegradação ou biodegradabilidade?
A biodegradação é uma mudança das propriedades de um material devido a alterações em sua estrutura química derivadas de ataques biológicos. Esse princípio implica na decomposição do material, o que impede o seu reaproveitamento para novas aplicações, ou seja, aproveitamento mecânico e/ou energético.
A biodegradação é um fenômeno complexo que depende da formulação do produto e que deve obedecer a uma série de etapas para que realmente ocorra. As experiências práticas sobre o assunto têm mostrado que, em condições reais de disposição de lixo nos aterros, ela não acontece com a eficiência e na velocidade esperadas.
Isso ocorre devido às dificuldades em se obterem as condições necessárias para a biodegradação, ou seja, valores corretos de presença de oxigênio, luz, pH do solo, temperatura, umidade e boas condições de se remexer os detritos, entre outros.
Materiais alternativos aos plásticos como a lata, o vidro, o papel, alumínio etc são biodegradáveis?
Pesquisas realizadas em aterros sanitários nos EUA mostraram que, apesar da imagem de "biodegradáveis", muitos dos produtos citados acabam por não se biodegradar quando submetidos às condições de um aterro sanitário. Dos materiais citados, alguns são praticamente inatacáveis como o vidro e o alumínio, pois são materiais muito resistentes a ataques biológicos.
Pelo lado da lata também não podemos dizer que haja uma biodegradação, porque ela não é fortemente atacada por microorganismos e sim por processos químicos de corrosão, em que há a possibilidade de ataques biológicos muito específicos.
O papel é o material que possui a melhor imagem de biodegradável, pois "desaparece" quando jogado na natureza. É importante mostrar que o fenômeno que faz o papel se biodegradar a céu aberto está ligado justamente às ótimas condições que esse material encontra quando exposto à luz solar e sob a ação dos ventos, chuvas etc.
Nos aterros, o papel se comporta da mesma forma que outros materiais, pois sua biodegradação enfrenta os mesmos problemas da falta de condições ideais para isso (luz, oxigênio etc.).
Com base nessas pesquisas científicas, não é correto discriminar os plásticos em função de estes não serem biodegradáveis, uma vez que, nas condições normais dos aterros sanitários, nenhum material, nem mesmo os biodegradáveis como um alface, consegue ser biodegradado.
O fato de os plásticos não serem biodegradáveis representa um problema para o meio ambiente?
Não. O fato de os plásticos não serem biodegradáveis permite que sejam reciclados recuperando-se, assim, o material e a energia gastos na confecção desse produto. É importante destacar que há inúmeras aplicações nas quais a biodegradação não é desejável, pois nelas os produtos plásticos obrigatoriamente devem ter um tempo de vida muito longo (várias décadas).
É o caso dos tubos e conexões para transporte de água, pisos, autopeças, recobrimento de fios, móveis etc. Já na área médica, a biodegradação é uma característica importante em casos como as suturas cirúrgicas "absorvidas" pelo corpo do paciente sem necessitarem ser retiradas.
Mais importante do que o tempo para ocorrer a biodegradação é a possibilidade de recuperação desse material para que ele possa ser reciclado, reaproveitando-se, assim, todo o conteúdo de matérias-primas e energia nele contido e, ao mesmo tempo, diminuindo o volume de lixo nos aterros.
Qual é o tempo previsto para um plástico se biodegradar?
Esse tempo é indeterminado, pois depende totalmente dos aditivos adicionados ao plástico, caso dos estabilizantes, plastificantes, cargas etc. Na maioria dos casos, exceto as embalagens, os artigos plásticos são feitos para durarem vários anos e, nesses casos, a biodegradação seria uma característica muito difícil de ser incorporada.
Os plásticos não são produzidos para serem biodegradados, portanto eles conseguem permanecer sem serem degradados por décadas ou centenas de anos.
É importante ressaltar que materiais como o papel e alimentos (alfaces, hotdogs, milho etc.), conhecidos como biodegradáveis, permanecem praticamente intactos por muitos anos depois de colocados nos aterros sanitários. Isto ocorre pela falta de luz, umidade, pH entre outros fatores indispensáveis para a presença dos microorganismos responsáveis pela biodegradação.
É justamente graças a sua capacidade de não serem biodegradáveis que os plásticos podem ser reciclados e reaproveitados.
ANÁLISE DO CICLO DE VIDA
Com relação ao ciclo de vida de um material, é possível dizer que, ambientalmente falando, o plástico é pior do que os materiais alternativos?
Não. O instrumento científico mais usado em todo o mundo para analisar o comportamento ambiental de um material é a “Análise do Ciclo de Vida” (LCA) ou “Ecobalanço”. Na Europa, há vários exemplos de estudos como esse, visando comparar produtos feitos com materiais plásticos com os mesmos produtos feitos a partir de materiais alternativos.
Na grande maioria dos casos, os resultados mostraram que os plásticos estão entre os materiais com menor impacto ambiental, uma vez que consomem uma baixa quantidade de energia tanto para serem fabricados como para serem transformados, além de possuírem grande facilidade para a reciclagem.
Quando comparados com materiais alternativos em termos de carga poluidora de efluentes sólidos, líquidos e gasosos, os plásticos também são os que causam o menor impacto. Vale ressaltar que a análise do ciclo de vida de um produto é uma ferramenta científica tão consagrada que está prevista nas normas ISO 14000 para avaliação dos produtos, pois ela contempla, além da quantidade e tipo de energia utilizada, todos os efluentes gerados durante a vida do produto.
O que é Análise de Ciclo de Vida?
A Análise do Ciclo de Vida é a técnica selecionada pela ISO 14000 para avaliação de produtos e para auxiliar na definição de investimentos/ desenvolvimentos que certamente trarão melhorias ao desempenho ambiental de um produto. A ACV estuda todos os consumos de energia e emissão de poluentes para o ar, água e solo desde a produção da matéria-prima até a destinação final (pós-consumo), passando por todas as etapas intermediárias de um produto.
A ACV aplicada sobre o sistema orientará as atividades de planejamento de melhoria contínua do processo. A ACV engloba a identificação e quantificação dos diferentes aspectos de sua relação com o meio ambiente. Para realizá-la, as informações necessárias são: consumo de matérias-primas, água e energia (elétrica ou outras fontes); transporte (tipo, distância, capacidade de carga, tipo de combustível); emissões para o ar, água e solo.
Quais os resultados da Análise do Ciclo de Vida dos plásticos?
Dentro do contexto de gestão de resíduos, a ACV está sendo utilizada nos países industrializados para orientar o gerenciamento dos resíduos sólidos urbanos. Tem sido utilizada para definir qual o melhor destino de cada classe de produto visando o melhor para o Meio Ambiente. Não há solução única para tudo, mas deve-se otimizar o sistema redução/reuso/ reciclagem/incineração/aterro.
Mais uma vez, as questões de consumo de combustível, emissões, uso da terra, degradabilidade, consumo de energia etc. devem ser analisadas conjuntamente para definir o gerenciamento mais adequado para os resíduos, considerando ainda as características do local administrado.
Como se compara o ciclo de vida do plástico em relação a outros materiais (metal, papel etc.)?
Os resultados não podem ser comparados, pois existe uma vasta gama de itens avaliados e, como nenhum material consegue ser ótimo em todos os itens, a opção sempre vai depender das realidades dos locais onde o material vai ser produzido e comercializado.
Para que se utiliza a ACV ?
No desenvolvimento de embalagens ou sistemas de embalagem. Escolha do material, escolha do tipo de unitização para a distribuição. Sistema retornável ou descartável. Até que ponto reduzir o peso de uma embalagem sem desencadear perdas do produto acondicionado ou gerar aumento de proteção exigindo aumento da embalagem de distribuição.
Qual o componente do sistema de embalagem que pode ou deve ser alterado para melhorar o desempenho ambiental do produto acondicionado. Na seleção de um processo de fabricação que use menos energia e/ou que gere menor emissão.
Na definição do ponto ótimo de reciclagem de embalagem. Qual a melhor taxa de reciclagem de um determinado tipo de embalagem/material, sob o ponto de vista do desempenho ambiental. No auxílio no gerenciamento dos resíduos sólidos urbanos.
RECICLAGEM
Quais os produtos de plástico que são recicláveis, e quais as maneiras de reciclá-los?
Todas as resinas termoplásticas são recicláveis. Portanto, todos os produtos fabricados a partir das mesmas são recicláveis. Existem três maneiras de reciclar os plásticos:
Reciclagem mecânica
Reciclagem energética
Reciclagem química
O que é reciclagem mecânica?
Consiste na conversão dos resíduos plásticos industriais e pós-consumo em grânulos que podem ser reutilizados na produção de outros produtos como: sacos de lixo, solados, pisos, mangueiras, componentes de automóveis, fibras etc.
A reciclagem mecânica possibilita a obtenção de produtos a partir de misturas de diferentes plásticos em determinadas proporções, ou produtos compostos por um único tipo de plástico
A reciclagem mecânica é a solução?
A reciclagem mecânica é uma importante parte da solução mas, sem dúvida, não será a única solução para os problemas relacionados com os resíduos sólidos urbanos. Na Europa e nos Estados Unidos, a reciclagem mecânica dos plásticos é responsável pela recuperação de aproximadamente 15 a 22% dos plásticos presentes no lixo.
Países mais desenvolvidos no gerenciamento integrado do lixo urbano possuem diversas formas de tratamento associadas à reciclagem mecânica.
Um bom sistema de gerenciamento deve levar em consideração, além da reciclagem mecânica, a recuperação energética, a reciclagem química, a compostagem e também o aterro sanitário. Todas as formas são utilizadas pois ainda não há estruturas que comportem um volume excessivo de materiais reciclados.
No caso do plástico, a reciclagem energética se mostra importante para aqueles materiais contaminados, cuja limpeza e descontaminação sairia muito cara e impactante ao meio ambiente.
A mistura de plásticos na confecção de produtos não prejudica a reciclagem desse produto?
A mistura de vários tipos de plásticos na confecção de um mesmo produto pode causar problemas no caso de estarmos analisando somente a reciclagem mecânica, pois há plásticos mais ou menos compatíveis entre si, outros são totalmente incompatíveis.
No entanto, existe a possibilidade de se utilizar tecnologias específicas que permitam o uso de plásticos misturados em determinadas proporções, por exemplo, na fabricação da chamada "madeira plástica", muito usada na fabricação de mourões, perfis para janelas, paletes, bancos de praça, isolamento acústico etc.
Já para a reciclagem energética, bem como para a reciclagem química, a mistura de diferentes tipos de plásticos não tem qualquer inconveniente, visto que o material será incinerado para a recuperação da energia nele contida ou voltará como matéria-prima para a produção de novas resinas no caso da reciclagem química.
Não seria recomendável que a indústria de plásticos se concentrasse nos produtos monoplásticos?
Ha casos em que as indústrias que utilizam produtos plásticos estão solicitando a adoção de produtos monomaterial, como por exemplo a indústria automobilística, que está profundamente engajada no objetivo de tornar o automóvel rapidamente desmontável para facilitar a reciclagem mecânica das autopeças plásticas.
Em outros casos, a obtenção das características necessárias ao produto requer a mistura de diferentes plásticos e, nesses casos, a mudança para monomaterial não é adequada.
O que é reciclagem energética?
É a recuperação da energia contida nos plásticos através de processos térmicos. A reciclagem energética distingue-se da incineração por utilizar os resíduos plásticos como combustível na geração de energia elétrica e/ou térmica.
Já a simples incineração não reaproveita a energia contida nos materiais. É importante lembrar que os plásticos são o material com maior poder calorífico dentro da composição do lixo urbano. Portanto, sua presença diminui consideravelmente a quantidade de óleo combustível necessária para promover a combustão do material.
Além da economia e recuperação de energia ocorre a redução do volume de 70 a 90% como resíduo inerte esterilizado.